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Jovens debatem inserção da juventude negra nas políticas de educação


Um dia repleto de debates, painéis, intervenções culturais e muito protagonismo juvenil. Assim foi a quinta-feira (29), na Casa do Maranhão, em São Luís, onde ocorreu o seminário Juventudes Negras e Educação, atividade alusiva ao mês da Consciência Negra no Maranhão.

Com organização do movimento Mapa Educação em parceria com o Governo do Estado, através das Secretarias de Estado da Juventude (Seejuv) e da Igualdade Racial (Seir), o seminário reuniu estudantes, professores, movimentos sociais e culturais para dialogar e debater a realidade educacional a nível nacional e estadual para a população negra. A atividade aconteceu dentro da programação da IV Mostra Cultural Quilombola – Juventude Negra Rural, Quilombola, perspectivas, sonhos e desenvolvimento, que acontece nesta quinta-feira e sexta-feira na Casa do Maranhão.

Por meio de palestras, mobilização e intervenções culturais, apresentações culturais, a atividade promoveu um bom diálogo acerca dos desafios e possibilidades do desenvolvimento de políticas públicas educacionais que promovam a inclusão da juventude negra.

Para o secretário de Igualdade Racial, Gerson Pinheiro, a iniciativa retrata a organização e o protagonismo da juventude negra numa pauta que eles devem estar como protagonistas. “Essa é uma iniciativa importante porque é a própria juventude negra se organizando e percebendo que sem a participação deles não haverá mudança dessa realidade a que a população mais carente do país vem sendo submetida pelas pautas excludentes que são colocadas a nível nacional”, comentou.

A secretária da Juventude Tatiana Pereira disse que as atividades de debate, mobilização e intervenções, possibilitados pela temática do seminário, leva a uma conscientização da problemática de racismo e exclusão social da juventude negra, para chegar a formas de enfrentamento e superação das mesmas.

“O avanço do preconceito no país tem afetado as relações sociais. Por isso mesmo, a importância de enfrentarmos isso e, principalmente tendo a juventude como protagonista dessa frente. O seminário promovido pelos jovens protagonistas do Mapa Educação com o apoio da Seejuv, Seir e Vale, tem esse propósito de debater a situação social que os jovens negros, principalmente de periferia, enfrentam e apontar meios de superação”, destacou.

Debate e protagonismo

Uma das palestrantes do seminário, a professora Graça Reis, destacou a importância do debate promovido pelo seminário e enfatizou que, ainda se percebe a falta de políticas públicas inclusivas específica para a população negra na área da Educação.“Historicamente, os negros não têm feito parte da pauta da Educação brasileira, nela nós ocupamos ‘um não lugar’. Pelo contrário, somos maioria nos principais índices negativos quando se refere a Educação. Somos maioria no analfabetismo absoluto, no analfabetismo funcional e isso tudo, reflete negativamente para a construção da nossa identidade negra e nosso posicionamento dentro da Sociedade. Por isso mesmo, é muito importante de atividades e espaços como esses, para discutir essa temática. Discutir a inserção da juventude negra na educação é fundamental para que nós possamos traçar novas diretrizes de inclusão da população negra”, comentou.

Para o coordenador do movimento Mapa Educação no Maranhão, Arão Mota, mais do que debater sobre juventude negra no âmbito das políticas de educação, é necessário que os próprios jovens sejam os protagonistas desse debate.

“A juventude hoje é cerca de 30% da população, a juventude negra é cerca de 75% desse total de jovens no estado e mesmo assim, esse percentual da nossa população ainda é colocada a margem, principalmente quando se refere a Educação. Então mais do que debater políticas educacionais para essa parcela da população, é essencial trazer esses jovens para o centro do debate para que eles sejam os protagonistas da construção de um novo paradigma onde os jovens negros saiam da marginalidade e estejam nos espaços de fala e de tomada de decisão”, ressaltou.

A estudante do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA), Feliciana Cunha, participou das palestras e debates e saiu com a certeza dos novos aprendizados sobre a identidade cultural da população negra, os desafios e meios para uma Educação mais inclusiva e, principalmente com o desejo de compartilhar tudo com os colegas de sala de aula. “Foi muito estar aqui e aprender mais sobre a importância da inclusão dos jovens negros pela Educação. E o mais importante, é que devemos discutir e dialogar sobre isso não só hoje e não só aqui, mas em outros lugares, principalmente na escola onde temos outros jovens que precisam saber que o lugar do negro é em todo lugar”, disse.

Além das palestras, debates e mesas redondas, a programação do seminário Juventudes Negras e Educação teve ainda a apresentação cultural de grupos de jovens quilombolas e outras intervenções culturais. A última mesa de debate foi também o espaço para a entrega da Agenda de Compromisso com as Juventudes Negras, construída a partir dos debates durante o dia. A atividade foi encerrada com a apresentação do grupo de Dança Afro Malungos/GDAM.

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